MESAS E ENTREVISTAS
As mesas e entrevistas deste ano apresentam um panorama das revoluções e renovações pela qual passa o meio fotográfico, levando à cidade histórica de Paraty um mix de jovens e consagrados talentos. Coletivos, artistas, jornalistas e técnicos apresentam de forma significativa as tendências e debates que norteiam a cena da fotografia contemporânea.
Todas as atividades acontecem na Casa da Cultura de Paraty, de quarta à domingo, em um desses horários: as 11h as 15h, as 17h e as 19h. A Abertura do evento, a Mesa da Fotografia Pernambucana e o 1˚ Encontro da Blogosfera Fotográfica terão entrada gratuita. As demais entrevistas custam R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia entrada). Os ingressos serão vendidos durante o evento, no escritório da produção em Paraty (Rua do Comércio, 01, Centro Histórico). Os participantes poderão comprar ingressos sempre para as atividades do dia e para as atividades do dia seguinte.
Casa da Cultura de Paraty
Rua Dona Geralda, 117
Centro Histórico
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QUA 23
SET/09
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Encontros com a Fotografia, FNAC 10 anos - Apresentação do vídeo e livro
Para abrir o Paraty em Foco, o projeto Encontros com a Fotografia. Um documentário com 40 dos principais fotógrafos brasileiros que mostraram seus trabalhos nas galerias da FNAC nos últimos 10 anos. Os fotógrafos foram entrevistados nos seus estúdios em suas cidades pelo Brasil afora. Eles revelam suas influências, como enveredaram pela fotografia, e mostram lugares e cenários que elegeram para suas imagens. Uma iniciativa que ultrapassa o caráter fotográfico e estimula o público a conhecer o Brasil através dos olhos de quem o registrou. Tudo apresentado em um livro especial, com dois volumes, e um documentário em DVD. Para esquentar mais ainda a noite, após a apresentação do vídeo, a jornalista Simonetta Persichetti , entrevistadora do documentário, vai conversar com dois dos participantes: Miguel Chikaoka de Belém e Tiago Santana de Fortaleza. |
| QUI 24 SET/09 |
Mesa “Fotógrafos Pernambucanos”
Com Eduardo Queiroga, Alexandre Belém, Luciana Cavalcanti, Rodrigo Braga e Mateus Sá com mediação do também pernambucano Pio Figueroa!
Numa espécie de sabatina coletiva, o público irá questionar o que é a tal “nova fotografia pernambucana” que o Paraty em Foco apresenta! Na mesa, 5 fotógrafos convidados topam o desafio.
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Ignacio Aronovich e Louise Chin, uma dupla na vida e no trabalho. Fotografam incessantemente numa produção eclética que passa pela imagem de natureza até o documentarismo social. Juntos criaram o Lost Art, site onde reúnem imagens percorridas ao redor do mundo. Do Gay Pride em San Francisco, ao Kamikase Freak Show; das ruas de Zagreb, na Croàcia, à festa de Halloween em Dublin, na Irlanda. O trabalho em dupla não é uma novidade. Já nos anos 30 Robert Capa e Gerda Taro mostraram isso e a história da imagem está repleta de exemplos. Contudo, Ignácio e Louise falarão como é manter esta parceria profissional e pessoal. Como é criar uma linguagem ampla e afinada sem que cada um perca a sua individualidade e autoria, ao mesmo tempo que lidam com planejamento e a estrutura de uma empresa. O Lost Art, como eles mesmos dizem, trata de fotografia e estilo de vida, que vai além da mídia habitual. Uma maneira dos autores manterem seu editorial sem alterações, de sua arte chegar ao público fiel à sua autoria. Tudo isso numa alucinante variedade de imagens onde a qualidade e originalidade são pontos fortes! Para entrevistá-los, o fotógrafo, professor e diretor da Associação de Fotógrafos Fototech, Clicio Barroso. |
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Outras Histórias: Fotografia e Auto-Representação
A fotografia, desde seu início, sofreu enormes transformações e sua violenta expansão contemporânea vem agregando não somente diferentes formas de apresentar imagens mas também de concebê-las. O leque multifacetado que representa uma imagética de caráter não mais regionalista acomoda pensadores e produtores distintos como o fotógrafo manauara Rodrigo Braga e o recifense Alexandre Sequeira. Os dois, em universos diferentes porém não excludentes, serão entrevistados, dialogando e pensando uma nova forma de produção. Sequeira, fotógrafo e professor da Universidade Federal do Pará, apresenta sua experiência com dois adolescentes que trocam impressões sobre suas realidades a partir de cartas e fotografias. Deste relacionamento, ele formulou 15 trabalhos que sugerem uma nova realidade construída, a partir de registros oriundos de processos artesanais como câmera construídas ou dupla exposição do filme. O resultado é, como ele diz, “uma rede de afetos”, diferenças e semelhanças que apontam para novos significados gráficos. Rodrigo Braga, fotógrafo radicado no Recife, em 2004 contemplado com a bolsa de pesquisas do 45º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, atualmente se dedica a Bolsa Estímulo à Criação Artística, concedida pela Funarte. De maneira diferente, reflete em sua obra as contradições exteriores e interiores. Seus trabalhos são carregados de simbologia, e sua auto-contemplação caminha ao lado de sua transfiguração, lidando ora com delicadeza ora com contundência com o tema da auto-representação, abordagem presente desde os primórdios da imagem fixada em papel. Para conduzir esta espécie de confronto entre a imagem que se volta para seu protagonista e aquela que se apropria de seus coadjuvantes, estarão presentes o também recifense Alexandre Bélem, fotojornalista, fundador das agências Lumiar e Titular, criador e organizador do Olha, Vê, blog que reúne portifólios e entrevistas com grande fotógrafos, e o fotógrafo e crítico de fotografia Eder Chiodetto, curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo, autor do livro “O lugar do Escritor”, ex-editor de fotografia da Folha de S. Paulo e colaborador do Caderno Ilustrada, do mesmo diário. |
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▪ 19h
Testemunho, Tecnologia e Ética Francesco Zizola entrevistado por Simonetta Persichetti e Coletivo Garapa O romano Francisco Zizola é um fotojornalista com larga experiência pelo mundo. Sua vivência com a violência inclui a Guerra do Iraque e conflitos sociais em países como África e Brasil. Também tratou de temas delicados, como a infância no terceiro mundo, que resultou no seu livro “Born Somewhere” de 2004, resultado de 13 anos de pesquisa sobre a questão infantil em nada menos que 27 países.
Também os números de seus prêmios não são poucos: Recebeu 7 prêmios distribuídos pelo World Press Photo e 4 “Picture of the Year”, entre outros pra lá de prestigiados. Seguidor do lema “quanto mais perto melhor”, suas imagens transitam pela dramaticidade do preto e branco e pelas particularidades da fotografia colorida como forma. No seu portifólio sobre a África, o uso da cor carregada chega a ser quase pictórico. Seu domínio na composição o aproxima também da imagem fine art.
A sua postura como jornalista europeu em meio a países subdesenvolvidos e emergentes, a proposta do documentário infantil e suas implicações com a ética serão os motivos de sua entrevista. Outra publicação sua, focando as crianças, “Etats d’enfances” de 1999, editada pela famosa coleção Photo Poche, aborda a má nutrição, o exílio forçado e a extrema pobreza a que uma quantidade enorme de crianças são submetidas ainda hoje. Para os brasileiros, “acostumados” a uma infância dilapidada e ao descaso do poder, sua entrevista contribuirá sem dúvida para rever ou acentuar os paradigmas do assunto em nosso próprio país.
Italiana de Roma como o fotógrafo, a jornalista Simonetta Persichetti é colaboradora de jornais e revistas brasileiros. Também é professora, pesquisadora, organizadora e autora de livros como o premiado “Imagens da Fotografia Brasileira”, e irá discutir com Zizola, entre outras coisas, sobre as implicações de ser um jornalista voltado a temas sociais num mundo cada vez mais banalizado pelo excesso de imagens. Para apimentar a discussão, estará presente o coletivo multimídia independente Garapa, grupo de fotógrafos documentaristas que tomou o caminho oposto ao do fotojornalismo diário, voltando o olhar para uma abordagem documental e criando novas narrativas autorais.
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| SEX 25 SET/09 |
1º Encontro da Blogosfera Fotográfica
Os ingredientes estão todos na mesa! A cada dia aumentam em quantidade e qualidade os blogs que possibilitam ver e ler sobre fotografia e nossa diversificada produção sai a campo com facilidade cada vez maior. Projetos interativos atingem platéias maiores sem grandes custos e os festivais e encontros da fotografia são cada vez mais populares fortalecendo as redes e conexões existentes. A internet é definitivamente o instrumento de difusão da fotografia contemporânea! Estas constatações e a percepção da existência de uma demanda por ferramentas que congreguem estas informações levaram à gestação deste projeto, que começa com um Blog feito por blogueiros diversos, produzindo conteúdo para o 5º Paraty em Foco, e que neste segundo momento, em tempo real, processa todo o conjunto de sugestões e debates virtuais recebidos e os apresenta no encontro da Blogosfera, culminando com a implantação de um “portal-coletivo-blogosférico”. Este blog será um espaço com conteúdo e informações atuais. Será diverso e colaborativo, um lugar para apreciar belas imagens e deleitar-se com instigantes idéias!
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▪ 15h
Arquivo Universal Rosângela Rennó entrevistada por Maria Angélica Melendi Celebrada artista brasileira, Rosângela Rennó é um signo permanente na fusão da imagem fotográfica com o fazer artístico. Por isso sua importante obra registrada no livro “O Arquivo Universal” é representativa de seu trajeto e de sua sintaxe, e muito significativa na construção de uma nova ordem fotográfica, aquela que assimila e se reporta às entidades da arte tradicional e contemporânea. Rennó produz arquivos puxados de vários arquivos, que geram novos arquivos. O substantivo se repete e o grande talento da artista igualmente, nos trazendo trabalhos memoráveis, no sentido literal do termo. Não é a toa que seu leitmotiv é a questão da memória, da identidade e do esquecimento. Com isso, o questionamento do próprio fazer fotográfico tornou-se uma constante. A transitoriedade do meio e os múltiplos universos que ele pode abranger será o tema de sua conversa. Algumas de suas peças mais delicadas, como a fantástica "Série Vermelha" (os retratos dos militares tingidos de vermelho) e 'In Oblivionem", onde textos rebaixados e molduras com imagens escuras, mesmo difíceis de transportar para o papel, são impactantes, tanto no conceito explorado como em sua imagética pura e simples. Outras como "Corpos de Alma", "Vulgo e Anonimato", "Bibliotheca" e a "Série Mexicana", apenas para citar alguns "arquivos" de seus arquivos, se estabelecem no cânone da reflexão fotográfica e, por conseqüência, artística. Pesquisadora, doutora em literatura comparada, artista visual e professora da UFMG, a argentina Maria Angélica Melendi, que vive e trabalha em Belo Horizonte, nos guiará na intensa conversa com Rosângela Rennó. |
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▪ 17h
Fotógrafos No Poder - Evento Fotografe Melhor Lula Marques e Orlando Brito entrevistados por Milton Guran e Sérgio Branco O mundo exclusivíssimo do poder nem sempre é tão exclusivo assim. Existem aqueles que não tem o poder executivo nas mãos, mas por força de sua profissão acabam por adquirir certas prerrogativas que a poucos são dadas. Caso dos fotojornalistas que circulam pelos corredores onde tramas são urdidas, pactos são fechados e onde muitos se escondem ao primeiro pipocar de um flash. Estamos falando dos palácios, onde habitam esses seres quase fantasmagóricos chamados de políticos. Orlando Brito e Lula Marques são dois ícones da imagem que ora enaltece seus personagens ora os coloca no verdadeiro inferno. O primeiro, veterano de veículos como O Globo, Veja e Jornal do Brasil, hoje dirige sua própria agência de notícias, a Obrito News. O segundo, depois de trabalhar no Correio Brasiliense, é membro do staff e coordenador da fotografia da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo, onde está desde 1987. Somada a história dos dois grandes fotógrafos, temos décadas de bastidores, ação, memórias, testemunhos em imagens que ilustraram a história política brasileira. Quem não se lembra do perfil de Ulisses Guimarães feito por Orlando Brito? Ou mais recentemente o execrado Delúbio Soares passando uma cigarrilha por baixo da mesa ao presidente Lula, em imagem de Lula Marques? O trágico acidente com o militares de 1979 durante um treinamento em Osório, RS, detalhado por Brito, ou a mosca no nariz do presidente boliviano Jaime Paz Zamora, de Marques, também fazem parte do cânone jornalístico. Para desvendar os mistérios que transitam pelas sombras do poder, os fotojornalistas serão entrevistados pelo fotógrafo, antropólogo e curador Milton Guran, que também é um dos idealizadores e coordenadores do FotoRio, e pelo jornalista e fotógrafo Sergio Branco, editor das revistas Fotografe Melhor e Viaje Mais, e editor do livro “O melhor do fotojornalismo brasileiro, edição 2009” |
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Inocência e Desconforto
Loretta Lux entrevistada por Eduardo Muylaert
Inocência e desconforto são duas palavras - não tão antagônicas, diga-se de passagem - que se amoldam na descrição da interessante obra da alemã Loretta Lux. Uma série de retratos de crianças que, pelo inusitado da cor, do cenário e de sua forma, caminham no limiar de outras artes, como a pintura. Não aquela forjada no pictorialismo, mas aquela outra destinada mais ao hiper-realismo, a uma realidade ficcional criada pela autora. A inocência infantil formula um contraponto ao desconforto gráfico da imagem que abdica dos padrões convencionais, uma leitura imaginada. Loretta Lux desde criança se interessou pelas obras primas nos museus de Dresden, onde nasceu. Depois, estudou pintura, especialmente os antigos mestres como os espanhóis Francisco Goya e Diego Velázquez, o italiano Agnolo Bronzino, entre outros, o que para muitos críticos se torna evidente em sua paleta de cores. Mas aquela estranheza que beira o real e o irreal em seus portraits infantis está longe de ser explicado ordinariamente como um produto do gênero, e é justamente nisso que reside sua atração maior. A artista desconversa quando o tema é a manipulação digital das suas imagens. E com razão. Não quer que sua arte seja percebida como um fenômeno técnico. Ela é muito mais que isso. Para ela, a câmera cria um perspectiva diferente da pintura. A elaboração detalhadíssima de cenário, o tratamento e composição rigorosos fazem com que não produza mais do que uma média de 5 a 7 imagens por ano. Isso a aproxima ainda mais dos antigos mestres pintores que levavam meses na produção de uma única obra, e sem dúvida a distancia muito da caudalosa produção digital contemporânea. A entrevista com a fotógrafa tratará do limiar das convenções pictorialistas do passado e as novas ferramentas do presente, contudo buscando entender como um conteúdo tão simples pode gerar uma discussão tão ampla. O paulistano Eduardo Muylaert é quem entrevista Loretta. Advogado de renome, Muylaert deixou de ser um fotógrafo diletante e concilia as duas carreiras com precisão e sucesso. Já participou de inúmeras exposições no Brasil e no exterior, e tem imagens em importantes acervos. É autor do livro o “Espírito dos Lugares” e profundo conhecedor da literatura fotográfica internacional. |
| SAB 26 SET/09 |
▪ 11h
Por Favor, Não Responda
Arte, cinema, vídeo, instalação e fotografia. Para o criador Arthur Omar tudo pode fazer parte do mesmo território. Aliás, Omar em sua poderosa sintaxe expande os espaços tradicionais para algo que ainda estamos aprendendo a definir. Esta simbiose artística substitui antigos rótulos e explora os limites dos novos conceitos. Submeter a nova ordem à criação é o tema da conversa com Arthur Omar. Distante da narrativa convencional encontrada na imagem impressa, Omar explora todos recursos sensoriais, como o conteúdo imagético, a informalidade versus a complexidade, numa abrangente analogia a neologismos contemporâneos e referências históricas. É assim que sua obra ora se aproxima do cinecromatismo de Palatinik, como em “Zooprismas”, ora busca referências no holandês Jan Vermeer do século 17, para a instalação “A Menina do Brinco de Pérolas”. A vertigem é apenas uma das frações encontradas na complexa e eclética obra do artista. Pode ser a serialização encontrada na “Antropologia da Face Gloriosa” ou suas paisagens extraídas da Amazônia em “Esplendor dos Contrários”. E sobre estas e outras experiências Omar compartilhará com o público sua constante expansão e seus desdobramentos na arte brasileira e internacional. Para entrevistar o artista, antropólogo, etnógrafo e fotógrafo Arthur Omar, Juan Esteves, fotógrafo, crítico e professor de fotografia, com trabalhos publicados e nos acervos do Brasil e do exterior. Esteves também é articulista da revista Fotografe Melhor e autor dos livros 55 Portraits, São Paulo en mouvement e Presença. |
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▪ 15h
Civilização e Mentira Pedro Martinelli entrevistado por Cassiano Elek Machado e Juan Esteves
Pedro Martinelli é um sujeito tão real que torna-se difícil tratar do personagem Pedro Martinelli. Primeiro, pela sua forte presença, mais parece um nórdico carregando suas armas do que um fotógrafo carregando seu equipamento. Também é difícil compará-lo pilotando seu barco pela Amazônia a alguém na cozinha explicando como se faz um bom ravióli, com a receita da família. No entanto, Pedrão, como é chamado pelos amigos, é tudo isso. Uma fera do fotojornalismo brasileiro capaz de publicar um livro de imagens contundentes e nele dar receitas de como assar um bom peixe. Fotógrafo desde 1970, quando começou no jornal O Globo, Martinelli acumulou uma pilha enorme de histórias que mesmo aqueles contistas mais matutos não são capazes de puxar. Do jornal foi para editora Abril, onde se consagrou como fotógrafo, editor e gerente do famoso estúdio fotográfico, onde se tornou uma lenda viva. Da sua diversidade, basta dizer que fotografou os grandes eventos esportivos com precisão cirúrgica que muitos fotógrafos do gênero não conseguiram, e revelou corpos esculturais para Playboy com uma sutileza e sensibilidade única, raramente encontrada no gênero. Vivendo entre navegar no seu barco pelo caudaloso Amazonas e sua casa em São Paulo, onde agora produz um blog com suas sensacionais histórias, Martinelli acabou de lançar “Gente X Mato” pela sua editora, a Editora Jaraqui (nome de uma espécie de peixe amazônico), depois de ter lançado “Amazônia, o Povo das Águas” e “Mulheres da Amazônia”. Como vemos, a região é uma constante na vida do fotógrafo, que começou a visitá-la há quase 40 anos. E é sobre como navegar entre gente e bicho que a entrevista com Pedrão vai viajar. Para extrair casos, imagens e experiências de Martinelli, o jornalista Cassiano Elek Machado, da equipe editorial da Cosac Naify, que também integra a redação da revista Piauí. Cassiano já foi editor do caderno Ilustrada, do Jornal Folha de S. Paulo e em 2007 assinou a curadoria da Flip, Festa Literária de Paraty. Junto com ele, o fotógrafo, professor e crítico de Fotografia Juan Esteves, articulista da Revista Fotografe Melhor, colunista de diversos sites de fotografia, ex-editor de fotografia da Folha de S. Paulo e atual colaborador de textos e imagens das revistas Época, Mitsubishi e Living Alone. |
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▪ 17h
Um Tempo Palpável Alessandra Sanguinetti entrevistada por Armando Prado e Claudio Edinger “Todo fotógrafo é um sujeito que imagina histórias!” A frase pertence ao veterano Eliott Erwitt, mas pode-se perguntar a outros tantos que teremos a mesma resposta. Há quem diga até mesmo que o fotojornalismo é atualmente uma “história” a ser contada. Pois bem. A nova-iorquina Alessandra Sanguinetti não foge à regra com suas imagens carregadas de mistério. Como ela desenvolve essa narrativa peculiar será o tema de sua entrevista, onde ela também mostrará parte do making of de sua produção. Uma história extraordinária criada pela fotógrafa, que desde 2007 faz parte do staff da Magnum Photos, é a série “On the sixth day” que descreve o relacionamento entre fazendeiros, seus animais e a terra. A relação serve de premissa para a fotógrafa desenvolver todo um roteiro criado por ela, contudo centrado em personagens existentes, como as primas Guille e Belinda. Sanguinetti manteve uma relação de 5 anos entre seus personagens, tempo suficiente para uma abordagem pra lá de inusitada. Para a escritora argentina Maria Sonia Cristoff, que escreve o prefácio do livro “Las Aventuras de Guille y Belinda y el Enigmático Significado de sus Sueños”, cada imagem da fotógrafa tem uma característica eminentemente narrativa. A fotógrafa envolve o espectador como cúmplice de seu trabalho. Sonhos e relatos se misturam e remetem à digressões literárias, entre outras coisas. A imagens foram feitas na Argentina, onde a fotógrafa viveu desde os 2 anos de idade até voltar para Nova York em 2003, onde trabalhou para revistas como The New York Time Magazine e LIFE. Para mostrar à platéia o método de criação de Sanguinetti e suas conseqüências teremos o paulistano Armando Prado, fotógrafo e professor. Além de fotógrafo autoral, Prado tem passagem pela imagem editorial, é um expert na literatura de fotografia e um dos criadores do SX70, que homenageia a Polaroid. Com ele, está o carioca Claudio Edinger, autor de mais de dez livros de fotografia, distinguido com os mais importantes prêmios da fotografia internacional, como o Oscar Barnack, e autor de uma obra autoral e contundente há mais de 30 anos. |
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| DOM 27 SET/09 |
▪ 11h O fotógrafo mexicano Gerardo Montiel Klint está certo que metade da nossa alma é obscura. Neste discurso direto, assume uma proposta maniqueísta onde através de sua auto-referência se propõe ao debate para ora iluminar as trevas do mal, ora confrontar a feiura com a beleza. Tarefa difícil, pois ao longo dos séculos, como diz Umberto Eco em seu “On Ugliness”, filósofos e artistas supriram a humanidade com inúmeras definições de beleza. Portanto, como arranhar um paradigma construído com tão larga margem? Confrontar também o mal, em todo seu espectro, da vida cotidiana às profundezas da loucura e seus desdobramentos, se constitui num problema moral, cuja solução gráfica nem sempre combina com o phatos existente na construção de imagens representativas ou alegóricas. A realidade imaginada transposta à superfície da fotografia é uma das provocações de Montiel Klint, cuja metáfora maior é iluminar o que dizem que não pode ser iluminado. Montiel Klint vem a Paraty para contar como propriedades ontológicas podem ser inseridas num conteúdo visual. Também falará de como a transitoriedade de uma obra fotográfica se estabelece diante de um mundo cuja racionalidade tenta oprimir a desenvoltura da criação. Promete encontrar com a platéia uma resposta para estas questões. Preparem os livros de cabeceira, pois Montiel Klint é um artista que gosta da confrontação das idéias e de que estas produzam sensações que possam ser absorvidas pela imagem. Para ele, não se trata de reproduzir uma questão literária ou filosófica para o papel fotográfico e sim de elevar a condição humana, retirá-la do torpor em que ela se encontra. Quem irá provocar o fotógrafo será o crítico de fotografia Eder Chiodetto, curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo, autor do livro “O lugar do Escritor”, ex-editor de fotografia da Folha de S. Paulo e colaborador do Caderno Ilustrada, e o fotógrafo, antropólogo e curador Milton Guran, que também é um dos idealizadores e coordenadores do FotoRio. |
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Crônicas de um mundo em transformação
Claudine Doury entrevistada por Eduardo Muylaert
Nos anos 30 Edward Weston já escrevia em seus “Daybooks” que o mundo está em constante transformação e que a fotografia é uma ferramenta que ajudava na vida das pessoas, ou melhor, que abordava a reavaliação da própria vida delas! A francesa Claudine Doury leva a sério a idéia. O tempo efêmero, a transitoriedade dos costumes, da sociedade, e como registramos isso tudo fotograficamente será o tema da discussão com a autora. Doury desenvolveu seus projetos pessoais paralelamente ao trabalho como fotojornalista. Entretanto, para provar que o tempo é mesmo relativo, tomou uma atitude oposta ao estonteante registro diário de imagens e passou a demorar propositalmente no toque dos seus projetos. Para ela trata-se de se “afastar” do imediatismo, da falsa percepção do tempo. Em outras palavras a fotógrafa determinou seu próprio andamento sem se deixar fascinar pela velocidade da vida contemporânea. Na mesma proporção em que seu “relógio” tinha o andamento adequado à sua filosofia fotográfica, a mesma também abordou suas próprias jurisdições, que a levou a países como Ucrânia onde fez um ensaio sobre adolescentes da Criméia; a Finlândia, registrando um festival de rock; e até mesmo a Bolívia, com uma curiosa história sobre a sua marinha, cujas manobras são no Lago Titicaca. As idiossincrasias do mundo contemporâneo estão nos ensaios de Doury, que também faz parte da famosa agência Vu. Para conversar sobre as implicações e perspectivas dessa moderna cartografia, Claudine conversa com o paulistano Eduardo Muylaert. Advogado de renome, Muylaert deixou de ser um fotógrafo diletante e concilia as duas carreiras com precisão e sucesso. Já participou de inúmeras exposições no Brasil e no exterior, e tem imagens em importantes acervos. É autor do livro o “Espírito dos Lugares” e profundo conhecedor da literatura fotográfica internacional. |
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▪ 17h
As Caixas de Sapato e Pandora CIA de Foto e Coletivo Pandora entrevistados por Rubens Fernandes Jr. Em meio as reavaliações que passa a imagética contemporânea, ressurgiu há alguns anos a inquietante possibilidade de se trabalhar coletivamente. Calma. Não se trata de um revisionismo marxista, e sim da possibilidade da união de conceitos, talentos e principalmente da energia de alguns profissionais que produzem novos signos, novas perspectivas renovando as gastas propostas que estão ficando para trás. Para mapear e discutir esta caminhada, estarão os fotógrafos do coletivo brasileiro CIA de Foto e o coletivo espanhol Pandora, representado por Héctor Mediavilla. A atenção por este interessante meio de trabalho vem desde o Encontro de Coletivos Iberoamericanos em 2008, que abriu a discussão para novas tendências e possibilidades. Mas, além do trabalho autoral imbuído na obra individual de cada fotógrafo, os coletivos também são agências de imagens. Pandora tem como clientes de sua imagem documental The New York Times, Stern, National Geographic e Le Figaro, por exemplo, e a Cia de Foto produz imagens para Folha de S. Paulo, Grupo Ultra, Vale do Rio Doce, a indústria de papéis Suzano, entre tantos. Como gerir o processo criativo individual? Como pensar diferentes produções? Como manter a autoria da imagem em meio a uma produção coletiva? E principalmente: como gerenciar um processo que ainda está sendo lentamente acomodado no meio editorial e publicitário? Tais perguntas serão o ponto de partida para a digressão conceitual e performance imagética dos dois coletivos cuja atuação está na dianteira internacional da imagem compartilhada, tanto impressa quanto virtual, e que ultrapassam longe as fronteiras do documentarismo tradicional. Para organizar o tráfego criativo destes grupos, cujo virtuosismo de seus autores é apenas um detalhe de uma intensa e vertiginosa produção, estará Rubens Fernandes Junior, professor e pesquisador de fotografia, organizador de dezenas de livros sobre a imagem histórica e contemporânea, um dos criadores do NAFOTO e curador de antológicas exposições. |





